quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Simplicidade voluntária - em busca de um estilo de vida exteriormente simples, mas interiormente rico

 

Simplicidade Voluntária – Em busca de um estilo de vida exteriormente simples, mas interiormente rico – é uma obra de Duane Elgin, palestrante reconhecido internacionalmente e autor de diversos livros que se tornaram best-sellers. Em 2006 recebeu o Goi Peace Award, prêmio internacional de reconhecimento à sua contribuição para uma “visão, consciência e estilo de vida” que promovem uma “cultura mais sustentável e espiritual”.

Duane Elgin propõe a Simplicidade Voluntária como um novo tipo de progresso para integrar os aspectos externos e internos para a vida humana, apontando um caminho realista para um futuro mais promissor para a humanidade. Adotar a simplicidade como um modo de vida não deve ser apenas um ato de complacência, mas sim de urgência. É preciso haver mudanças radicais e globais no modo de viver e de consumir, a fim de evitar uma enorme calamidade futura. A simplicidade de vida deve ser reconhecida, por toda a humanidade, como ingrediente vital na construção de um futuro sustentável e significativo.

 
A simplicidade voluntária, quando faz parte de uma escolha devidamente consciente, deliberada e intencional possibilita uma qualidade de vida elevada. Duane Elgin (2012, p. 32), cita alguns motivos relevantes que têm levado as pessoas a aderirem à simplicidade:

  • A simplicidade possibilita um relacionamento mais harmonioso com a Terra – solo, ar e água;
  • A simplicidade promove a justiça e a equidade entre as pessoas e a Terra;
  • A simplicidade elimina o excesso inútil de trabalho, a confusão e a complexidade;
  • A simplicidade enriquece a vida com o equilíbrio – interior e exterior, trabalho e família, família e comunidade;
  • A simplicidade aumenta os recursos disponíveis para futuras gerações;
  • A simplicidade ajuda a salvar espécies animais e vegetais da extinção;
  • A simplicidade é uma resposta ao esgotamento do petróleo, da água e de outros recursos vitais;
  • A simplicidade volta os nossos olhos para aquilo que realmente importa na vida: a família, os amigos, a comunidade, a natureza e o cosmos;
  • A simplicidade floresce em comunidade e nos liga ao mundo com um senso de inclusão e propósito comum;
  • A simplicidade é um estilo de vida mais leve que combina elegantemente com o mundo real do século XXI;

Muitos consideram a simplicidade voluntária como uma vida de sacrifício e de perdas. Mas se o indivíduo parar para pensar vai perceber que sacrifício é (ELGIN, 2012, p. 33):


  • Um modo de vida consumista com excesso de pressão, excesso de compromissos e excesso de trabalho;
  • Investir longas horas em um trabalho sem significado nem gratificação;
  • Afastar-se da família e da comunidade para ganhar a vida;
  • Submeter-se à pressão de percorrer longas distâncias num trânsito congestionado;
  • Esconder a beleza da natureza por trás de cartazes publicitários;
  • Carregar no corpo mais de duzentos produtos químicos tóxicos, com efeito-cascata para as gerações futuras;
  • Extinção maciça de animais e plantas, numa atmosfera gravemente empobrecida;
  • É a mudança climática global, as plantações comprometidas, a fome a migração forçada.

Ao contrário dos mitos da mídia, o consumismo propicia vidas de sacrifício enquanto a simplicidade proporciona vidas de oportunidade. A simplicidade cria a oportunidade para uma maior realização no trabalho, mais compaixão pelos semelhantes, sentimentos de fraternidade com todas as formas de vida e o êxtase por vivermos num universo vivo. Essa é uma maneira rica de viver que oferece uma atraente alternativa ao stress, ao excesso de compromissos e à alienação da vida moderna. No entanto, os meios de comunicação – movidos pelo consumismo – sempre relutaram em explorar a promessa de simplicidade porque esta ameaça o motor do crescimento econômico, que é sua seiva vital. (ELGIN, 2012, p. 33). 
 
A seguir, eis alguns dos desastres ambientais (ELGIN, 2012, p. 36), que o mundo vem presenciando e que só tendem a piorar caso a humanidade escolha continuar seguindo por esses caminhos tortuosos que tem como único destino, levar o planeta ao caos total:


  • Pico do petróleo: ainda esgotaremos as reservas de petróleo de uma vez por todas. Já gastamos mais ou menos a metade delas – a metade mais fácil e barata de extrair – e a demanda continua crescendo. O preço do petróleo irá subir e deprimir a economia global até que o mundo opte por fontes de energias renováveis.
  • Mudança climática: ainda derretermos as calotas polares e as geleiras do mundo, desestabilizando de vez o clima do planeta. Estamos criando uma nova Terra para as gerações futuras, ao risco de uma queda fenomenal na produtividade agrícola e de fome já nesta geração.
  • Superpopulação: ainda atulharemos o mundo, inconscientemente, com uma superpopulação de bilhões de pessoas, muito além da capacidade de regeneração dos ecossistemas da terra, da água e do ar.
  • Extinção das espécies: ainda provocaremos a extinção de um terço, pelo menos, das espécies vegetais e animais. A integridade da teia da vida é um dos indicativos óbvios da saúde do planeta. Estamos destruindo grandes porções da biosfera e colocando em risco os alicerces da nossa própria existência. 


Nunca antes a família humana esteve à beira de devastar a biosfera terrestre e abalar fundamentos ecológicos por incontestáveis gerações que se seguirão. O ciclo se fechou e não há escapatória. A Terra é um sistema único, solidariamente interconectado. Tanto a ecologia natural da Terra como a ecologia social das relações humanas estão sendo danificadas pelo caminho que ora seguimos. O resultado é que passamos a enfrentar problemas não só individuais. Defrontamo-nos com uma crise complexa e mundial que envolve todos os aspectos da vida. (ELGIN, 2012, p. 36).


São diversas as alternativas de como se praticar a simplicidade voluntária. A seguir alguns exemplos (ELGIN, 2012, 38-40):

  • Simplicidade ecológica: ser simples significa escolher modos de vida que tratem com mais delicadeza a Terra e reduzam o impacto ecológico que provocamos na teia da vida. Esse caminho evoca nossas raízes profundas com a terra, o ar e a água. Estimula-nos à ligação com a natureza, as estações, o cosmo. A simplicidade ecológica da vida no planeta reconhece que os reinos não humanos das plantas e animais têm sua dignidade e seus direitos, tanto quanto nós.
  • Simplicidade familiar: ser simples significa colocar o bem-estar da família acima do materialismo e do consumismo. Essa expressão de vida ecológica enfatiza o fornecimento, às crianças, de modelos saudáveis de vida equilibrada não distorcidos pela mania de aquisição. A simplicidade familiar ensina que as coisas mais importantes na vida às vezes são invisíveis – a qualidade e a integridade do nosso relacionamento com os semelhantes. A simplicidade familiar é também intergeneracional: olha para frente e procura viver com comedimento a fim de legar um planeta saudável às gerações futuras.
  • Simplicidade econômica: ser simples significa que um novo tipo de economia está se impondo no mundo, com produtos e serviços saudáveis e sustentáveis, de todos os tipos. Quando a necessidade por uma infraestrutura sustentável se combina, nos países em desenvolvimento, com a necessidade de remanejar e redesenhar casas, cidades, locais de trabalho e sistemas de transportes das nações “desenvolvidas”, gera uma onda enorme de inovação na atividade econômica verde e no emprego.
  • Simplicidade compassiva: ser simples significa ter um senso profundo de fraternidade. Segundo Gandhi, “escolhemos viver simplesmente para que os outros simplesmente vivam”. A simplicidade compassiva implica um vínculo com a comunidade da vida e a escolha de um caminho de cooperação e justiça que almeja um futuro de desenvolvimento mutuamente assegurado para todos.
Ainda existem muitas barreiras a serem quebradas. Muitas pessoas ainda não conhecem essa nova maneira de viver e outras que já ouviram falar ainda estão arredias e vestidas de enorme preconceito, fruto da ignorância sobre o assunto. Muitos associam a simplicidade com pobreza, com vida bucólica, negação da beleza e com estagnação econômica. Mas nada disso é verdade. Essas são concepções errôneas sobre a vida simples que permeiam a sociedade, portanto, é preciso apagá-las de vez e voltar a consciência para o que verdadeiramente ela significa.

É incorreto comparar a simplicidade à pobreza. Viver uma vida de renúncia extrema é defendido por algumas religiões, mas não é o que a simplicidade voluntária propõe. “A pobreza é involuntária e debilitante, enquanto a simplicidade é intencional e fortalecedora. A pobreza é prejudicial e degrada o espírito humano, enquanto que uma vida de simplicidade consciente pode abriga uma integridade funcional elevando o espírito do homem.” (ELGIN, 2012, p. 41). Quem adere à simplicidade voluntária busca um equilíbrio entre a pobreza e o excesso. 

O homem precisa desde já assumir a responsabilidade pela relação de sua vida com o planeta e com o futuro e passar de um agente consumidor para um agente conservador. Alguns poucos no mundo já aderiram à simplicidade voluntária, mas ainda são solitários nessa jornada. É preciso que esse número se transforme em milhões e que haja um movimento mundial em prol da saúde ambiental e da justiça social para que finalmente os resultados positivos comecem a aparecer.

  
Fonte: Elgin, Duane. Simplicidade Voluntária - em busca de um estilo de vida exteriormente simples, mas interiomente rico. 2012.
 O trecho postado faz parte da minha monografia, cuja obra faz parte do meu estudo.
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Gente, esse livro é muito bom! Vale muito a pena ler! Ainda tem jeito de salvar o Planeta!


Espero que tenham gostado!

Abraços



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2 comentários:

  1. Adorei ler o seu blog domingo à noite,terei uma semana melhor com certeza,mais simplificada.Cristina Sahao

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    1. Oi Cristina, obrigada por sua visita! que bom que gostou! volte sempre! bjo

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