AUTOMOBILISMO FEMININO: CATEGORIA PARA MULHERES É ANUNCIADA NA F1 PARA 2019

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O automobilismo carece de mulheres disputando a Fórmula 1. Em busca de novos talentos femininos e com o objetivo de tentar solucionar esse problema, foi anunciada uma nova categoria, composta apenas por mulheres. A iniciativa foi apresentada na Inglaterra, ganha o nome de W Series e tem uma mulher no comando: Catherine Bond Muir. A novidade gerou controvérsia pelo fato de separar as competidoras em uma categoria diferente, mas foi bem recebida por importantes figuras do esporte.

O início está planejado para 2019. O objetivo dos organizadores é permitir a ascensão de novos talentos femininos à Fórmula 1. A inscrição é grátis, mas, para começar a competir, as mulheres passarão por testes e avaliações de pista. A W Series contará com uma premiação de 1,5 milhão de dólares (aproximadamente 5 milhões de reais). A vencedora da categoria receberá 500 mil dólares (cerca de 1,8 milhão de reais) e todas as outras competidoras ganharão um valor em dinheiro.

Por enquanto, a previsão é de realizar seis corridas de 30 minutos em autódromos europeus. Só depois disso a organização pretende expandir para outros continentes. Todos os carros utilizados pelas competidoras serão iguais e terão especificações de Fórmula 3. O projeto é apoiado por importantes nomes do esporte, como o ex-piloto escocês David Coulthard e o projetista da RBR, Adrian Newey.

Entre as mulheres que apoiam a iniciativa estão Tatiana Calderón, que disputa a GP3 e é a mais próxima da Fórmula 1; a britânica Alice Powell, que chegou a ser cogitada para correr na Fórmula 1 de 2014; e a inglesa  Jamie Chadwick, que com apenas 20 anos foi a primeira mulher a conquistar uma vitória na Fórmula 3 britânica.

Nem todo mundo, no entanto, recebeu a novidade com entusiasmo. A piloto Pippa Mann, por exemplo, disse que esse era um dia triste para o esporte. “Aqueles que têm condições financeiras de ajudar mulheres que pilotam estão escolhendo separá-las em vez de apoiá-las. Estou profundamente desapontada por ver tamanho passo atrás acontecendo em minha vida”, publicou a esportista em sua conta no Twitter.

De acordo com o piloto David Coulthard, a separação é necessária porque hoje as mulheres encontram um teto de vidro no nível GP3 / Fórmula 3 em sua curva de aprendizado, muitas vezes como resultado da falta de financiamento, e não da falta de talento. “É por isso que é necessária uma nova série de corridas para estabelecer um habitat competitivo e construtivo de automobilismo, no qual nossas pilotos poderão se equipar com o conjunto de habilidades necessário para seguir em frente”, disse.

Coulthard salientou, contudo, que não é necessário um nível extremo de força, como em alguns outros esportes. Por isso, ele considera que os pilotos homens e mulheres podem, sim, competir em pé de igualdade. Mas o momento atual não permite que elas ascendam na carreira e cheguem à Fórmula 1.


Falta de espaço no automobilismo


O automobilismo carece da participação de mulheres. A Fórmula 1, por exemplo, teve a última participante feminina em 1992, com a italiana Giovanna Amati. Outra italiana, Lella Lombardi, foi a última mulher a largar em uma prova em 1976 e a única a pontuar na história da categoria, em 1975. Outras mulheres fizeram parte, mas nunca como titulares, e sim em testes, treinos e exibições.
Muitas pilotos começaram a perceber essa falta de espaço e a reivindicar representatividade. “Nosso esporte é só uma pequena parte de uma história maior sobre a participação feminina em todos os esportes. Há um momento por trás do esporte de mulheres – é só olhar para o sucesso da última Copa do Mundo feminina no Canadá –, e não há dúvidas de que os tempos estão mudando também no automobilismo”, disse Susie Wolff, piloto de testes da Williams, em editorial para a revista britânica Autosport.


Da garupa à pilotagem


Se antes as mulheres só ficavam na garupa das motos, agora elas dão a partida. O motociclismo sempre foi associado ao mundo masculino, mas o cenário vem se transformando nos últimos anos, fato este observado pelo número de mulheres que passaram a pilotar o veículo. Segundo dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), o número de mulheres habilitadas para pilotar motocicletas cresceu 50,1% nos últimos seis anos.

Em 2012, existiam no país 4.512.755 mulheres com carteira nacional de habilitação “A”. Em 2017, eram 6.771.933, fazendo com que o gênero feminino correspondesse por 22% dos que possuem habilitação. “Praticidade de locomoção e sensação de liberdade são alguns dos motivos pelos quais elas estão sendo atraídas para esse mundo”, explicou Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), à Revista Exame.

Com esse cenário, as empresas do setor, bem como as fabricantes de motocicletas, passam a investir em acessórios como capacete feminino, produção de roupas e outros equipamentos voltados especificamente para esse público.

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