ROUPAS ÍNTIMAS TÊM PRAZO DE VALIDADE?

A resposta é sim: depois de um certo período de uso, o ideal é comprar novas cuecas e calcinhas



Sempre que se ouve expressões como "prazo de validade" ou "modo de conservação", as pessoas lembram de alimentos. De fato, é comum comprarmos ingredientes e produtos alimentares baseando-se na quantidade de tempo que eles estão aptos ao consumo. No entanto, especialistas advertem que há outro tipo de item cotidiano que também depende das mesmas observações: as roupas íntimas, isto é, calcinhas, sutiãs e cuecas.

Segundo a ginecologista e terapeuta sexual Scheila Amado, ainda que as calcinhas não ofereçam riscos de doenças graves quando velhas, o material com o qual elas são feitas tende a prejudicar o conforto cotidiano com o tempo.

“É difícil determinar um tempo de vida útil fixo, mas em geral se deve observar a condição da calcinha. Se ela começou a desfiar, ficar com o elástico folgado e mudar a coloração, são demonstrações que sua vida útil já está passada e que precisa trocar”, explicou ao site Cinform.

Isso acontece porque, segundo Amado, há o risco de “perda de continuidade”, quando há um afastamento de tecido vivo do corpo por meio do contato com o tecido e se abre uma porta de entrada para bactérias e fungos.

“Nesses casos, se precisar, levar uma calcinha limpa na bolsa e na hora do intervalo, fazer a troca. Mas nem todas as mulheres precisam fazer isso, vai depender se a mulher tem patologias que causam algum tipo de secreção, ou do conforto que a mulher tem durante o dia”, explicou.

Advertências similares são feitas pelo médico infectologista Ralcyon Teixeira, do Hospital Emílio Ribas e da Sociedade Brasileira de Infectologia, em relação às cuecas. Para ele, não há um prazo específico para trocá-las, mas o tempo pode fazer com que elas percam sua função mais importante: proteger as partes íntimas.

“Ao longo do tempo ela pode perder a eficácia em termos de proteção, por conta da deterioração da peça em si. Por exemplo, se a cueca ficar frouxa demais ela pode provocar assaduras. Por questões de infecção, não há uma necessidade específica", disse em entrevista à Veja.

Modelos como a cueca Slip Zorba e de marcas como Lupo e Duomo alertam que as cuecas devem ser trocadas a cada seis meses -- mesmo tempo de substituição de calções, ceroulas, sutiãs e calcinhas. Mesmo biquínis têm prazos de validade, segundo os fabricantes.

"O que nós, médicos, alertamos é em relação à higienização das peças, como evitar usar muitos produtos químicos de limpeza ou, mesmo, grandes quantidades deles. Se for lavar na máquina não se deve colocar muito sabão em pó e nem amaciante, pois, caso não haja um enxágue potente, provavelmente ficará resíduos nas peças, o que pode causar uma forte alergia. O ideal mesmo é usar sabão de coco, pois é menos alergênico. Lavar manualmente seria o ideal porque as calcinhas, principalmente, costumam ser mais delicadas", completou Teixeira.

Tanto a ginecologista quanto o infectologista advertem contra as lavagens comuns desse tipo de roupa nas casas brasileiras: o banho. No caso das cuecas, Ralcyon afirma que "o ambiente não é propício, já que tem muita umidade e não permite que elas sequem direito. E a umidade junto com o calor pode originar focos de fungos e bactérias”.

No das calcinhas, Scheila Amado diz que lavá-las na máquina ou no tanque é uma opção ruim por causa do sabão em pó, e prossegue: "Se existe o hábito de lavar a calcinha durante o banho, vale ter um sabão neutro dentro do box, mas nunca se deve secar nesse ambiente. As peças devem secar ou em exposição ao sol ou em locais com ventilação, e que a secagem seja completa”, finaliza.

Portal da Mulher

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